Após um dia instável, o dólar fechou a terça-feira (26) em alta de 0,46% a R$ 4,989. A moeda começou a sessão no campo negativo, mas inverteu o sinal e passou a subir à tarde e meio às pressões globais e domésticas.
Para a economista do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, a virada se deu principalmente pela alta dos juros dos treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Pela manhã, os rendimentos dos papéis subiam, ainda em meio ao processo de ajustes de posições de investidores à perspectiva de que a política monetária nos EUA seguirá restritiva.
“Além disso, há mais outros dois fatores que podem ter trazido a aversão ao risco no mercado na parte da tarde. Um deles é a preocupação com aumento no preço do petróleo, por conta de problemas envolvendo a Rússia, e também uma preocupação com a desaceleração da economia chinesa”, afirmou.
Também citando a pressão dos papéis do Tesouro dos EUA, Elcio Cardozo, especialista em mercado de capitais e sócio da Matriz Capital, destaca que o dólar sobe ante as demais moedas globais, e que a divisa brasileira ainda apresenta uma das menores desvalorizações.
“Com a valorização dos treasuries, os investidores tendem a buscar esses prêmios maiores em ativos de baixo risco, como é o caso dos títulos de dívida emitidos pelos Estados Unidos e, com isso, o dólar tende a se valorizar em todo o mundo”, pontua.
No mercado de commodities, os preços do petróleo fecharam em alta, com o barril do WTI de volta à marca psicológica dos US$ 90.
A perspectiva de aperto na oferta, em meio à extensão dos cortes da Arábia Saudita e Rússia, parece se sobrepor aos temores globais com o nível elevado de taxas de juros, que poderiam levantar preocupações sobre a demanda.
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