O ator baiano Wagner Moura participou, neste domingo (21), do ato contra a chamada PEC da Blindagem e contra a proposta de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos. O protesto ocorreu no Farol da Barra, em Salvador, e reuniu manifestantes contrários à medida em discussão no Congresso Nacional. Wagner subiu no trio elétrico comandado por Daniela Mercury para falar com a multidão.
Durante sua fala, Moura destacou o papel da Bahia no cenário político nacional e reafirmou sua posição em defesa da democracia.
“Eu tô dizendo aqui, que eu tenho orgulho de ser da Bahia, porque aqui a extrema direita não se cria não. Aqui não pai, aqui não”, afirmou o ator, sob aplausos e gritos de “sem anistia” puxados pelo público presente.
Wagner Moura fala sobre democracia e recorda governo Bolsonaro
Além da crítica à anistia, Wagner Moura se posicionou contra a PEC da Blindagem e alertou para os impactos de legislações que possam fragilizar o Estado Democrático de Direito. Ele mencionou que o país já vivenciou situações que não devem se repetir. Segundo o ator, a experiência dos últimos anos reforça a necessidade de preservar as instituições e evitar retrocessos.
Moura também se juntou aos manifestantes ao cantar “Deusa do Amor”, composição de Moreno Veloso que ficou popularizada no repertório do Olodum. O gesto reforçou o tom cultural do protesto, que mesclou discursos políticos com manifestações artísticas.
Marchinha ironiza Jair Bolsonaro durante manifestação
O ato na Barra também foi marcado pela irreverência. Entre as músicas entoadas pelos participantes esteve a marchinha “Só não vai Jair”, criada pelo produtor musical Chinaiana. A composição ironiza a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por liderar a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
A canção ganhou notoriedade após circular em versões no podcast “Medo e Delírio em Brasília”, interpretada pelo narrador Cristiano Botafogo. Em Salvador, a música foi incorporada às manifestações como forma de protesto bem-humorado, mas com forte carga crítica.
Relator da anistia enfrenta pressões
Enquanto manifestações ocorriam em Salvador, em Brasília o debate sobre o futuro da proposta avançava com articulações políticas. O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, afirmou que não tem como apresentar uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Segundo ele, o texto em tramitação precisará de ajustes para atender diferentes setores do Congresso.
Líderes do Centrão admitem que será necessário contemplar ao menos parte das demandas da ala bolsonarista. A avaliação interna é que a mobilização do PL, liderado por Sóstenes Cavalcante (RJ), foi fundamental para garantir a tramitação do projeto. Nesse cenário, não seria possível construir um texto que beneficie apenas governistas e integrantes do Centrão.
O desafio de Paulinho será conciliar o desejo do bloco de reduzir penas, mantendo Bolsonaro inelegível, com as propostas mais amplas defendidas por bolsonaristas. “Pelo que já vem sendo conversado, acho que eles sabem que não dá para passar a versão ampla. Tanto que o projeto cuja urgência foi votada não tinha mais o benefício amplo, geral. Mesmo o perdão proposto pelo (Marcelo) Crivella, na verdade, foi só uma base para a urgência; ele não tem condição de ser aplicado”, explicou o relator em entrevista.
Com tantos interesses em disputa, a expectativa é que a negociação se estenda. Ainda assim, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pressiona para que a proposta seja votada já na próxima semana, o que aumenta a pressão sobre o relator e os líderes partidários.
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