No ano em que pela primeira vez o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é feriado nacional no Brasil, ainda nos deparamos com situações que escancaram que ainda há muito a ser feito com relação ao combate ao racismo, no Brasil e no mundo.
Recentemente, o jogador Vini Jr., da seleção brasileira de futebol, deixou de comparecer à premiação da Bola de Ouro, a que tinha sido indicado, porque o time – e ele mesmo, não acreditavam que a France Football não daria o prêmio de melhor do mundo a um negro. Após a premiação, jogadores de todo o mundo comentaram a injustiça do fato.
Também neste ano, pela primeira vez no Brasil, foi proferida uma sentença condenatória de prisão em um caso de injúria racial e racismo.
A a luta contra o racismo é, sobretudo, uma luta contra um sistema de opressão arraigado à sociedade brasileira desde a colonização e embora tenhamos tido avanços, ainda caminhamos em passos lentos rumo à igualdade.
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O caso de Day McCarthy, condenada por injúria racial contra a filha de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, marca a maior pena da história no Brasil por racismo. Explore o impacto dessa decisão!
O professor Erivaldo Oliveira, Ex-presidente da Fundação Palmares, nos conta que “Desde a chegada forçada dos negros ao país em navios negreiros até as lutas contemporâneas por igualdade, a trajetória do povo negro revela os desafios de um sistema que os relegou à marginalidade, mas também a força de uma cultura que resistiu e se afirmou. É essa memória que o Dia da Consciência Negra carrega, em nosso país”.
Perguntado sobre as cotas raciais, que ainda hoje são tema de debates acalorados, o professor nos esclareceu que “Para compreender a razão de ser das cotas raciais, temos que compreender todo o processo histórico do povo negro no Brasil. Um povo que foi arrancado de suas origens, de seus impérios, e relegados ao papel de escravos, sem apoio sequer do Clero, que no afã de defender os interesses burgueses, declarou que não era pecado escravizar os negros, já que não tinham alma”.
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Inlustração: André Bolinha - "A Igreja Católica denfendia que os negros não tinham alma!"
“A discrepância no tratamento ficou ainda mais gritante após a abolição da escravidão, quando os imigrantes europeus chegaram para trabalhar nas fazendas de café e os negros foram lançados à margem da sociedade, sem indenizações, políticas de inclusão ou qualquer tipo de reparação. Somente no século XXI, as políticas afirmativas começaram a reparar séculos de exclusão.
As cotas raciais nas universidades públicas abriram caminhos para jovens negros que, pela primeira vez, tiveram acesso ao ensino superior em grande escala. Ainda assim, essas medidas enfrentam resistência de setores da sociedade que insistem em negar os impactos históricos do racismo estrutural” e continua “é preciso avançar na ocupação de cargos de liderança, na igualdade salarial, na representatividade política e na superação do racismo estrutural. A luta por igualdade não é contra aqueles que não foram contemplados pelas cotas, mas pela construção de uma sociedade justa e igualitária para todos”.
Sobre a condenação à prisão no caso de Racismo, a primeira no Brasil, Erivaldo destaca que “acredito que servirá, pelo menos, como uma forma de coibir os racistas, mas não é uma solução definitiva”.
Perguntado sobre quais caminhos acredita serem mais efetivos para enfrentar de uma vez por todas este problema, o professor foi taxativo: “infelizmente, ainda somos um país que ignora suas origens, sua história e, em que o racismo estrutural é tão arraigado que as pessoas nem se compreendem negras. Para mudar efetivamente essa situação e combater as grandes injustiças, as ações racistas criminosas que ainda hoje vivenciamos, o caminho é educar a população, é o letramento racial ”. Por fim, emocionado o professor cita a famosa frase de Martin Luther King "Eu tenho um sonho" do lendário discurso.

Eu tenho um sonho: O lendário discurso de Martin Luther King
Veja o vídeo na integra da aula histórica do professor, acesse o link abaixo:
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