O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou, na manhã desta quarta-feira (3), que deseja preservar a parceria com o PP na Bahia, mesmo após o desembarque da legenda do governo federal. A declaração ocorre após a crise política aberta em Brasília com a saída do Progressistas (PP) e do União Brasil da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ainda durante a inauguração da requalificação da Casa da Música e do Centro de Atividades do Parque do Abaeté, em Salvador, o petista aproveitou o momento para provocar o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, dizendo que o ex-prefeito “saiu do armário” ao assumir uma postura alinhada ao bolsonarismo. A decisão de desembarcar do governo ocorre após a federação entre o PP e o União Brasil, chamada de União Progressista (UPb).
Governador quer manter aliança com PP na Bahia
Questionado sobre o rompimento do PP com Lula, Jerônimo disse que acompanha os movimentos nacionais, mas que, no Estado, o interesse é pela manutenção do diálogo com os progressistas. Atualmente, a sigla faz parte da base do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).
“Tenho que aguardar o movimento nacional. Vou torcer para que tenhamos cada vez mais ministros alinhados às políticas públicas do presidente Lula. Se o partido fizer movimentações, vou esperar para ver como vamos tratar aqui”, declarou.
O governador destacou a boa relação que mantém com deputados estaduais e federais do PP, citando nomes como Cláudio Cajado e Mário Negromonte Júnior.
“Tenho um relacionamento muito responsável, muito diligente aos deputados estaduais, todos eles. E aos federais, nós temos tido um bom diálogo, mas o meu desejo é que eles possam continuar comigo”, afirmou.
Chapa Puro-Sangue
O governador também afirmou que está trabalhando para a formação da chapa para as eleições de 2026. Ele, no entanto, desconversou quando questionado sobre quais nomes são os mais fortes para a disputa.
“Essa é uma chapa potente com dois bons nomes para senadores, uma chapa para governador e vice forte. Nós ainda não decidimos, mas estamos conversando. A gente quer garantir que esse ambiente na Bahia ajude a reeleição do presidente Lula. O projeto é nacional”, afirmou.
Provocações a ACM Neto e críticas ao bolsonarismo
No mesmo evento, Jerônimo provocou o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, após a saída do União Brasil e do PP da base de Lula em Brasília. Para o governador, Neto finalmente assumiu de que lado está, já que, nos bastidores, os partidos apoiam o projeto de anistia ao ex-presidente e aliados no julgamento sobre o golpe de Estado em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Graças a Deus ele mudou. Agora sim se posicionou de lado. O ex-prefeito de Salvador saiu do armário. Ele realmente defende o que nós vimos de mais ridículo na política”, disse, em referência ao apoio da sigla à anistia de Jair Bolsonaro (PL).
Ainda segundo o petista, a postura do adversário escancara uma ligação direta com o bolsonarismo. “Agora ficou claro de que lado ele está. Ele saiu do armário e assumiu que defende Bolsonaro, alguém que representa o que vimos de mais ridículo na política. Imagina se cada prefeito que perdesse a eleição resolvesse quebrar a Câmara ou a prefeitura. Foi isso que aconteceu em 8 de janeiro”, afirmou.
Julgamento de Bolsonaro e defesa da democracia
Jerônimo também comentou o julgamento do ex-presidente Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a responsabilidade dele nos atos de 8 de janeiro. O governador afirmou que acompanha de perto e defendeu a atuação da Justiça.
“Minha torcida é para que a justiça seja feita em nome da democracia. Se não for condenado, concorre à eleição, toca a vida. Mas alguém tem que dar um freio nisso. É para isso que existe a Justiça”, declarou.
Ele ressaltou ainda que o episódio representou uma ameaça direta às instituições.
“O que está em jogo é a democracia. 8 de janeiro foi o culme disso. O que está posto nesse julgamento não é mais um ambiente político, é um ambiente jurídico. Se chegou ao STF é porque há motivações. Eu espero que a Justiça seja feita e que a gente aprenda com isso”, declarou.
Indicação para o TCE e eleições de 2026
Jerônimo também quebrou o silêncio sobre as especulações em torno da indicação de Otto Alencar Filho (PSD) para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). O comentário surgiu diante da possibilidade de um acordo político para garantir uma chapa majoritária “puro sangue” do PT nas eleições de 2026, com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, que vai tentar a reeleição. Se prosperar, o atual senador Angelo Coronel (PSD) estaria fora da disputa pela reeleição na base governista.
O governador negou qualquer tipo de negociação nesse sentido e garantiu que a escolha será técnica. “Não tem nada de troca ainda. Eu nem recebi ainda do TCE nada de comando sobre as mudanças. Não fiz isso. E eu vou fazer a minha escolha, dialogando com todos, a escolha melhor para o TCE”, disse.
De acordo com ele, o foco deve ser a instituição. “O foco aqui não é o governador, não é a política. A força aqui é a instituição, o Tribunal de Contas do Estado, que merece profissionais adequados. Farei isso na hora correta”, concluiu.
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