João Coser (PT), deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Vitória; Arnaldinho Borgo, prefeito de Vila Velha; Bruno Marianelli, prefeito de Linhares; e Dr. Coutinho, prefeito de Aracruz têm em comum a cabeça que traça os rumos de suas campanhas para as eleições 2024. Por trás de toda estratégia do marketing político que ambos irão seguir está o jornalista Fernando Carreiro, 39, que nas eleições de 2022 se destacou levando o candidato bolsonarista Carlos Manato (PL) ao segundo turno nas eleições ao Governo do Espírito Santo.
Carreiro é jornalista e repele a alcunha de marqueteiro: “infelizmente, desde o Mensalão, virou sinônimo de bandido, embora seja uma categoria majoritariamente composta de gente honesta”, justifica. Há 19 anos, vive “no meio do poder e dos poderosos”, como costuma dizer, e com a projeção que seu nome ganhou no território capixaba, ES Hoje se presta a traçar este perfil do jornalista que também é colunista do jornal há 14 anos.
Fernando já foi consultor de um sem-número de figuras políticas importantes do Espírito Santo, como Carlos Manato (PL), Sérgio Vidigal (PDT), Sueli Vidigal (PDT), Da Vitória (PP), Rodney Miranda (Republicanos), Erick Musso (Republicanos), Euclério Sampaio (MDB), Max Filho (PSDB), Marcelo Santos (Podemos), Vandinho Leite (PSDB), Marcus Vicente (PP) e de partidos políticos, como o Progressistas e o PDT; atuou em campanhas eleitorais de outros Estados – na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais – e de instituições como OAB-ES, Unimed Vitória, Conselho Regional de Medicina, Associação dos Oficiais Militares e Associação dos Municípios do Espírito Santo. Ao todo, Carreiro já atendeu a mais de 100 figuras políticas que contrataram seus serviços de consultoria, assessoramento, campanha eleitoral e gestão de crises. Hoje, é o guru de grandes estrelas da política capixaba.
“Eu fujo do título de mago. Há uma expectativa de que mágicos sempre tiram coelhos da cartola, e isso não é real. Por ter uma rede de contatos muito extensa, acabo tendo um olhar privilegiado sobre os movimentos políticos e as tendências de discurso e linguagem. E é só isso”, minimiza Carreiro. Mas para o mercado político do Espírito Santo, ele é, sim, uma espécie de guru. A peregrinação de políticos ao seu escritório, na Enseada do Suá, em Vitória, não nega.
Entre os clientes que mantém conversas adiantadas são figuras de pré-candidatura na Serra, Cariacica e Itapemirim, que faz questão de manter por ora em segredo, em respeito às tratativas. Fernando Carreiro também já trabalha para postulantes a prefeituras no interior do Estado.
O jornalista chegou ao topo do marketing político do Espírito Santo em “pouco tempo”. Sua empresa tem 11 anos, mas ele não se considera um prodígio por ter alcançado tão rapidamente esse patamar em um mercado tão restrito. “Prodígio é aquele que nasceu predestinado a ter sucesso em determinada área da vida. Estou longe desse chamamento quase religioso, embora minha fé em Deus tenha me dirigido até aqui. Meu mantra é trabalho incansável e resiliência diária”, garante o jornalista, que chega a trabalhar 16 horas por dia e confessa já ter recusado alguns trabalhos.
“Há limites éticos, que são regulados pelos valores que carregamos. Quando algum candidato ou o próprio ethos de sua campanha já indica uma ‘ameaça’ a esses meus limites éticos, eu descarto minha participação. Não podemos colocar nossa alma, nosso coração e nossa paixão quando não acreditamos em determinados projetos”, confidencia. Entre seus limites éticos está a produção de fake news: “Uma coisa é você resgatar o passado de um candidato, e o passado é real. Outra coisa é construir um passado que não existe e inventar o presente. O profissional de marketing político não deve ter essa prerrogativa. Faz parte do bom marketing é a capacidade de realçar a beleza de produtos e pessoas, não de colocar rótulos que vendam produtos mentirosos”.
Em 2022, Fernando Carreiro fez o primeiro turno da campanha de Manato governador, da direita, que chegou ao segundo turno, e nesta, é o responsável pela comunicação da campanha do petista João Coser a prefeito da capital. Duas vitrines importantes com dois posicionamentos completamente distintos.
“Não tenho rótulos. Um bom profissional de marketing veste a camisa do time do qual é técnico, mas a tira para dormir”, justifica o jornalista, que evita tratar de política à mesa com amigos e familiares: “Quem pensa que vai se sentar comigo e debater sobre política pode se frustrar um pouco (risos). Política é paixão, e se tem uma equação que dá muito errado é aquela que soma razão e emoção. Elas são complementares e na política andam juntas, diferentemente das relações pessoais. Estes novos tempos já mostraram que ao somar esses dois ingredientes da nossa psique, subtraímos amigos e familiares”, reflete.
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