A Polícia Federal investiga se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) produziu durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) dossiês sobre adversários políticos do ex-presidente.
A investigação ocorre no âmbito do inquérito que apura a suspeita de uso ilegal do software de espionagem First Mile por servidores da Abin durante a gestão Bolsonaro.
A PF apura se os supostos dossiês foram produzidos a partir de dados obtidos por meio do First Mile em combinação com outras ferramentas da agência.
Dois agentes da Abin, que pediram anonimato à coluna, relataram que tiveram conhecimento da produção de relatórios cujos alvos eram integrantes do PT e do PcdoB.
O foco de um dos documentos, que teria sido produzido na gestão de Alexandre Ramagem na Abin, foi um dos atuais ministros do presidente Lula (PT). Entre as informações contidas no documento estão CPF, data de nascimento e dados sobre processos abertos e encerrados no Tribunal de Contas da União, Tribunal Superior Eleitoral e no STF.
Por se tratar de um uso indevido da Abin, nenhum dos dossiês possuíam timbre oficial do órgão. Eles foram confeccionados em meio a documentos solicitados legalmente pelo ministro Braga Neto, à época chefe da Casa Civil, com o objetivo de evitar chamar a atenção.
O uso ilegal do software israelense First Mile resultou na Operação Última Milha, deflagrada pela PF em 20 de outubro. Além da prisão de dois servidores da Abin, outros cinco diretores foram alvo de mandados de busca e apreensão. Na casa de um deles , o então secretário de Planejamento e Gestão do órgão, Paulo Maurício Fortunato, a polícia encontrou 171,8 mil dólares em espécie.
Fonte: UOL
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