A partir da próxima segunda-feira (6), o Museu da Cultura Afro-Brasileira, que fica no Centro Histórico de Salvador, será oficialmente reinaugurado e entregue à população baiana em meio à programação do Novembro Capital Afro.
“O hoje é o irmão mais velho do amanhã e a garoa é a irmã mais velha da chuva." diz proverbio africano do livro.
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Se você reconhece o provérbio africano acima desse parágrafo, é possível que tenha sido um leitor de ‘Um defeito de cor’, premiada obra da literatura brasileira de autoria de Ana Maria Gonçalves.
E é justamente a exposição “Um Defeito de Cor” que reabre o Muncab a partir de segunda-feira. A mostra é uma releitura do livro de mesmo nome e que conta a saga de uma mulher africana, trazida para o Brasil escravizada.
No livro, a autora tenta reconstruir na ficção o caminho de Luiza Mahin, nome ligado a movimentos revolucionários na Bahia do século 19 e que segundo registros históricos seria a mãe do advogado abolicionista Luiz Gama.
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A exposição tem como curadores Amanda Bonan, Marcelo Campos e a própria autora. O recorte aborda anos da história do Brasil e do continente africano. A exposição conta com cerca de 400 obras de artes entre desenhos, pinturas, vídeos, esculturas e instalações de mais de 100 artistas da Bahia, do Rio de Janeiro, Maranhão e do continente africano.
A exposição tem obras de Kwaku Ananse Kintê, Kika Carvalho, Antonio Oloxedê, Goya Lopes, produzidas especialmente para homenagear os 15 anos do livro, comemorados em 2021.
"Quando não souberes para onde ir, olha para trás e saiba pelo menos de onde vens" , diz um proverbio africano do livro.
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"Um Defeito de Cor" ficou por quase um ano em cartaz no Museu de Arte do Rio de Janeiro e teve cerca de 100 mil visitantes.
A exposição é dividida em 10 núcleos, que espelham os 10 capítulos do livro, destacando revoltas negras, empreendedorismo, protagonismo feminino, culto aos ancestrais e a África contemporânea.
👉🏾 O primeiro ambiente da exposição captura os processos cíclicos de vida e de morte pela ótica da cosmogonia: Kehinde tem a trajetória marcada pela perda dos laços familiares a partir do assassinato da mãe, dos avós e dos irmãos na África pré-colonização, sendo forçada ao tráfico transatlântico.
👉🏾 A segunda ala reflete sobre a estética brasileira que a personagem incorporou, levando-a a adotar o nome local “Luísa”, quando desembarcou na Baía de Todos os Santos.
👉🏾 O terceiro espaço da mostra retrata a divisão do trabalho braçal ao qual os escravizados foram submetidos na Casa Grande e Senzala (Senzala Grande).
👉🏾 O quarto ambiente registra a aculturação dos negros pelos hábitos europeus e os planos de liberdade traçados pelos africanos, que definem os aquilombamentos.
👉🏾 Quinto ambiente mostra a incisiva recusa comunitária à subjugação escrava e ao sincretismo das religiões praticadas pelos africanos em território colonizado.
👉🏾 Sexto ambiente mostra a eclosão de revoltas populares contra a colonização europeia em diferentes províncias do país durante o período regencial (1831-1840), entre as quais “Noite das Garrafadas” (1831), no Rio de Janeiro, a “Sabinada” (1837-1838), na Bahia, e a “Balaiada” (1838), no Maranhão.
👉🏾A sétima ala abre espaço para as festas santas sincréticas no Brasil, como o “Presente de Iemanjá” em Salvador, que completou 100 anos em 2023.
👉🏾A oitava ala aborda as intuições e os livramentos espirituais em sonhos e trata das moradias improvisadas no Rio de Janeiro e o comércio de crianças escravizadas em São Paulo.
👉🏾O nono espaço narra as dificuldades de adaptação cultural dos Agudás, como ficaram conhecidos os escravizados que ganharam a alforria no Brasil e retornaram ao país originário.
👉🏾No décimo ambiente, a tragédia novamente encontra Kehinde, que desta vez tem de lidar com a morte de seus netos, e a personagem fica cega. Descobre-se, por fim, que a narrativa do livro e da exposição abrigam uma carta escrita por Kehinde para o seu filho Luís Gama.
SERVIÇO
Exposição “Um Defeito de Cor”
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab)
Rua das Vassouras, 25 - Centro Histórico de Salvador
Inauguração para o público: 6 de novembro de 2023, a partir das 13h
Visitas: até 3 de março de 2024
Funcionamento: de terças-feiras aos domingos, das 10h às 17h. Acesso até às 16h30
Ingressos: R$ 20, com direito a meia-entrada: a partir de 14 de novembro
Gratuidade: Entre 6 e 13 de novembro e todas as quartas-feiras
Classificação indicativa: Livre
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