O empresário Leonardo Amoedo, que tentou fazer a SAF no time do Itabuna Esporte Clube concedeu uma entrevista exclusiva para esclarecer os motivos que levaram ao fim de seu projeto no clube e os possíveis desdobramentos. Abaixo estão os principais trechos da entrevista:
Por que não continuou com o projeto de investidor do Itabuna Esporte Clube?
Amoedo: O principal motivo foi a não aprovação pelo conselho deliberativo do clube para a conversão dos aportes futuros em cotas automaticamente em ações. Além disso, enfrentamos interferências constantes de pessoas que influenciavam o clube sem critério esportivo.
Investiu quanto no time em 2022 e 2023?
Amoedo: Foram investidos aproximadamente 2 milhões de reais, comprovados por relatórios e notas entregues à direção do clube. Esses recursos foram destinados a diversas despesas, como certidões, salários de atletas, viagens, hospedagens, alimentação, suplementação, prêmios, impostos e folha salarial.
No modelo que a direção do clube queria, vocês ficariam com quantos % das ações?
Amoedo: Por lei, poderíamos ficar com até 90%. No modelo proposto pela direção, ficaríamos limitados a 50%. A proposta inicial era investir meio a meio, ou seja, para cada real, metade seria investimento e metade em ações. Essa abordagem era mais favorável em comparação com agremiações como o Bahia, onde a proporção era de 1 para 1. Contudo, ao atingirmos 38%, pedi que cada real investido convertesse metade em ações. Infelizmente, o conselho e a direção não concordaram com essa abordagem.
E esse investimento que você fez no clube, como será tratado? Considera acionar a justiça para recuperar?
Amoedo: Aguardei o término das competições para evitar tumultuar o clube. Neste momento, nosso corpo jurídico já está em contato com a direção, buscando um acordo de forma amigável. Se não obtivermos sucesso, certamente iremos recorrer à justiça. Já possuímos um CNPJ da SAF, com estatuto aprovado pelo conselho. Ainda não formalizamos a entrada na FBF e CBF.
Qual a importância desse investimento para as campanhas do time em 2022 e 2023?
Amoedo: Fundamental. Em março de 2022, o presidente solicitou inicialmente um patrocínio, pois sem ele enfrentariam problemas. Após 15 dias, com a competição em andamento, fomos informados de que poderiam desistir da segunda divisão, pois entraram sem recursos adequados. Se não tivéssemos aportado, o Itabuna talvez nem tivesse disputado o restante da segunda divisão, muito menos conquistado a vaga na Série A. Na Série A, a importância foi igualmente expressiva. Nesse período, os patrocínios foram escassos, e as ajudas vieram principalmente por meio de permutas.
Acredita que faltou visão e profissionalismo à direção do clube em não aprovar o modelo de SAF para 2024?
Amoedo: Acredito, primeiramente, que a vaidade de não perder o comando do clube, associada à interferência política interna, nortearam o Itabuna e prejudicaram bastante na tomada de uma decisão equivocada e, no mínimo, estranha. Afinal, como um investidor vai aportar recursos sem uma contrapartida? E doação? Infelizmente, o amadorismo e a falta de profissionalismo estão enraizados na instituição.
Como assimilou a campanha do time no campeonato estadual e o vexame na Copa do Brasil?
Amoedo: Recebi muitas mensagens de pessoas de Itabuna e até de fora do estado perguntando como estava. Minha resposta sempre foi de muita tristeza. Ao mesmo tempo, imaginei que isso fosse acontecer. Tem um livro no futebol muito bom: “A Bola não entra por acaso”. Nada me surpreendeu, apesar de que gostaria de ter sido surpreendido com uma bela campanha do clube. Montaram um time sem critério, estudo e às pressas. Não tinha como isso dar certo.
Sem SAF, o Itabuna Esporte Clube tem futuro?
Amoedo: Acredito que, sem uma gestão profissional, transparência e seriedade nas relações, o Itabuna não irá a lugar algum. Não vejo como fazer isso em um clube social. Pouquíssimos não quebram no Brasil. Itabuna está em uma praça pobre e precisa, além disso tudo, de recursos financeiros constantes. Sem uma SAF, não vejo como.
Para finalizar, como define a atual direção do clube?
Amoedo: Apesar de respeitar e admirar a pessoa e o profissional Rodrigo Xavier, que trabalha 24 horas pelo clube, o mesmo encontra-se cercado de pessoas que não trabalham pela instituição e visam diversos outros objetivos que sempre estão acima do Itabuna. Um presidente dedicado e compromissado, mas rodeado de amadores e incompetentes na área desportiva.
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